MARTHA MEDEIROS – Não canse quem te quer bem

Uns mais, outros menos, todos passam dos limites na arte de encher os tubos

Foi durante o programa Saia Justa que a atriz Camila Morgado, discutindo sobre a chatice dos outros (e a nossa própria), lançou a frase: Não canse quem te quer bem. Diz ela que ouviu isso em algum lugar, mas enquanto não consegue lembrar a fonte, dou a ela a posse provisória desse achado.

Não canse quem te quer bem. Ah, se conseguíssemos manter sob controle nosso ímpeto de apoquentar. Mas não. Uns mais, outros menos, todos passam do limite na arte de encher os tubos. Ou contando uma história que não acaba nunca, ou pior: contando uma história que não acaba nunca cujos protagonistas ninguém ouviu falar. Deveria ser crime inafiançável ficar contando longos causos sobre gente que não conhecemos e por quem não temos o menor interesse. Se for história de doença, então, cadeira elétrica.

Não canse quem te quer bem. Evite repetir sempre a mesma queixa. Desabafar com amigos, ok. Pedir conselho, ok também, é uma demonstração de carinho e confiança. Agora, ficar anos alugando os ouvidos alheios com as mesmas reclamações, dá licença. Troque o disco. Seus amigos gostam tanto de você, merecem saber que você é capaz de diversificar suas lamúrias.

Não canse quem te quer bem. Garçons foram treinados para te querer bem. Então não peça para trocar todos os ingredientes do risoto que você solicitou – escolha uma pizza e fim.

Seu namorado te quer muito bem. Não o obrigue a esperar pelos 20 vestidos que você vai experimentar antes de sair – pense antes no que vai usar. E discutir a relação, só uma vez por ano, se não houver outra saída.

Sua namorada também te quer muito bem. Não a amole pedindo para ela posar para 297 fotos no fim de semana em Gramado. Todo mundo já sabe como é Gramado. Tirem duas, como lembrança, e aproveitem o resto do tempo.

Não canse quem te quer bem. Não peça dinheiro emprestado pra quem vai ficar constrangido em negar. Não exija uma dedicatória especial só porque você é parente do autor do livro. E não exagere ao mostrar fotografias. Se o local que você visitou é realmente incrível, mostre três, quatro no máximo. Na verdade, fotografia a gente só mostra pra mãe e para aqueles que também aparecem na foto.

Não canse quem te quer bem. Não faça seus filhos demonstrarem dotes artísticos (cantar, dançar, tocar violão) na frente das visitas. Por amor a eles e pelas visitas.

Implicâncias quase sempre são demonstrações de afeto. Você não implica com quem te esnoba, apenas com quem possui laços fraternos. Se um amigo é barrigudo, será sobre a barriga dele que faremos piada. Se temos uma amiga que sempre chega atrasada, o atraso dela será brindado com sarcasmo. Se nosso filho é cabeludo, “quando é que tu vai cortar esse cabelo, guri?” será a pergunta que faremos de segunda a domingo. Implicar é uma maneira de confirmar a intimidade. Mas os íntimos poderiam se elogiar, pra variar.

Não canse quem te quer bem. Se não consegue resistir a dar uma chateada, seja mala com pessoas que não te conhecem. Só esses poderão se afastar, cortar o assunto, te dar um chega pra lá. Quem te quer bem vai te ouvir até o fim e ainda vai fazer de conta que está se divertindo. Coitado. Prive-o desse infortúnio. Ele não tem culpa de gostar de você.


A Liberdade da Auto Suficiência


Quanto mais uma pessoa tem em si, tanto menos os outros podem ser alguma coisa para ela.
Um certo sentimento de auto-suficiência é o que impede os indivíduos de riqueza e valor intrínseco de fazerem os sacrifícios importantes, exigidos pela vida em comum com os outros, para não falar em procurá-la às custas de uma considerável auto-abnegação.
O oposto disso é o que torna os indivíduos comuns tão sociáveis e acomodáveis: para eles, é mais fácil suportar os outros do que eles mesmo.
Acrescente-se a isso que aquilo que possui um valor real não é apreciado no mundo, e aquilo que é apreciado não tem valor.
A prova e consequência disso estão no retraimento de todo o homem digno e distinto. Assim sendo, será genuína sabedoria de vida de quem possui algo de justo em si mesmo, se, em caso de necessidade, souber limitar as suas próprias carências, a fim de preservar ou ampliar a sua liberdade, isto é, se souber contentar-se com o menos possível para a sua pessoa nas relações inevitáveis com o universo humano.
Por outro lado, o que faz dos homens seres sociáveis é a sua incapacidade de suportar a solidão e, nesta, a si mesmos. Vazio interior e fastio: eis o que os impele tanto para a sociedade quanto para os lugares exóticos e as viagens. O seu espírito carece de força impulsora própria para conferir movimento a si mesmo, o que faz com que procurem intensificá-la mediante o vinho.
E muitos, ao tomar esse caminho, tornam-se alcoólatras.
Justamente por isso, os homens precisam sempre de estímulo exterior, e do mais forte, ou seja, dos seus iguais. Sem ele, o seu espírito decai sob o próprio peso, prostrando-se numa letargia esmagadora.
Arthur Schopenhauer in “Aforismos para a Sabedoria de Vida”


Não misturo SL com RL

Afinal o que é isto que as pessoas dizem em seus profiles: Não misturo SL com RL.
Como assim? Quem manipula os avatares não é alguém Real? Não é alguém com sentimentos, sonhos, frustrações, carências entre outras tantas emoções e tantos desejos?
Não misturar SL com RL quer dizer o que? Ah, olha, eu vou ter um relacionamento com você aqui, seja de amizade, amor, sexo, ou seja lá o que for, mas veja bem, não quero te conhecer pessoalmente nunca tá?
Quantos a gente conhece que conseguem cumprir isto à risca? Alguns, eu sei, por motivos óbvios, de distância demasiada ou porque estão mentindo a respeito de si próprios. Quantos casos não conhecemos deste tipo: sou loira, alta, corpo definido, olhos verdes, tenho 28 anos (aliás porque diabos no SL todo mundo escolheu a idade de 28 anos como a idade ideal?) faço faculdade, trabalho e estou no SL só pra passar o tempo. E, no entanto você vê a figura logada lá o dia todo, às vezes de madrugada.
Mentiras sinceras me interessam, já dizia o poeta que nem preciso mencionar aqui (quem quiser que procure o Google), mas misturar SL com RL pra mim é dar as caras, é se revelar como pessoa. Não digo revelar sua vida eM pormenores, mas ser quem você realmente é. Ser sincero em suas atitudes, mostrar seu verdadeiro caráter. Mesmo quando se usa o SL só pra jogar, ter uma seGunda vida, realizar desejos que você não teria coragem de realizar na RL, até assim você mistura, porque ali é você de verdade. Apenas exteriorizando o que tem de mais profundo.
A Krizca e a Rosa são a mesma pessoa, embora confesse que quando entrei no SL, há quase 5 anos atrás, eu tinha a ilusão de que ali eu iria ser quem eu não tinha coragem de ser na RL. E qual foi a minha surpresa? Descobri que não consigo ser outra pessoa. E acredito, que desde que você não seja um psicopata, você também não consiga.
Gosto de debater este assunto, pois tem várias vertentes e ficaria uma semana aqui dissertando sobre ele, mas fica aqui a pergunta:

Você mistura SL com RL?


O Amor é Mais Forte

Os amantes de hoje preferem a droga mais leve, o tabaco mais light ou o café descafeinado. Já ninguém quer ficar pedrado de amor ou sofrer de uma overdose de paixão. As emoções fortes são fracas e as próprias fraquezas revelam-se mais fortes. Os amantes, esses, são igualmente namorados da monotonia e amigos íntimos da disciplina. O que está fora de controlo causa-lhes confusão, e afecta-lhes uma certa zona do cérebro, mas quase nunca lhes toca o coração. O amor devia ser sonhado e devia fazê-los voar; em vez disso é planeado, e quanto muito, fá-los pensar.
Sobre o amor não se tem controlo. É um sentimento que nos domina, que nos sufoca e que nos mata. Depois dá-nos um pouco vida. No amor queremos viver, mas pouco nos importa morrer e estamos sempre dispostos a ir mais além. Deixamo-nos cair em tentação, e não nos livramos do mal, embora procuremos o bem. No amor também se tem fé, mas não se conhecem orações: amamos porque cremos, porque desejamos e porque sabemos que o amor existe. Amamos sem saber se somos amados, e por isso podemos acabar desolados, isolados e deprimidos. Que se lixe! O amor não é justo, não é perfeito; no amor não se declaram sentenças nem se proferem comunicados. O amor prefere ser imprevisível, cheio de riscos e de fogo cruzado. No amor os braços não se cruzam, as palavras não se gastam e os gestos servem para o demonstrar. Amar também é lutar, e enfrentar monstros fabulosos com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de dragão. É uma ilusão, um sonho, um absurdo e uma fantasia. O amor não se entende, não se interpreta, não se discerne nem se traduz. Quem ama acredita, mas não sabe bem porquê, não sabe bem o quê, nem percebe bem como.

Rogério Fernandes,
in ‘Alterne Activo’


O amor em novos tempos

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio.

As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos e ncontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre os opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também sente u ma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem juntos.

Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes pensamos que o outro é nossa alma gêmea e , na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontra das dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.

O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há aconchego o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo…
“A PIOR SOLIDÃO É AQUELA QUE SE SENTE QUANDO ACOMPANHADO”
Flávio Gilkovate (médico psicoterapeuta)


Brincar de ser feliz

As coisas mais faladas no curso de Psicologia de qualquer universidade são: Subjetividade, Percepção, Atividade Lúdica e “Vambora” que já passou a chamada. Bom para nós ‘secondlifeanos’ a mais importante é o tal ‘lúdico’ que no dicionário está como: Atividade lúdica é todo e qualquer movimento que tem como objetivo produzir prazer quando de sua execução, ou seja, divertir o praticante. A atividade lúdica também é conhecida como brincadeira. Trocando em miúdos seria a uma forma de se divertir, brincar, e isso não tem nada haver com a idade da pessoa.
Como nem eu nem vocês estamos querendo saber de tratados acadêmicos, vamos voltar a falar de SL e tentar entender porque será que, estando nós num ambiente virtual cheio de fantasia e diversão, teimamos em trazer as coisas da RL para cá, poluindo nosso mundinho virtual.
Na RL, a sociedade inventou dezenas de opressores que acabam comandando nossa vida, sem nos dar trégua ou complacência. Por centenas de anos o ser humano é colocado na parede pelas pressões sociais que o destrói e essas pressões tem a capacidade de se moldar a cada época do desenvolvimento humano. Lá nas cavernas já existia um pentelho qualquer te dizendo ’seja assim, seja assado’. E continua até hoje.
Tudo bem é RL, então caramba por que as pessoas insistem em trazer essas opressões sociais para SL? Preconceitos, produtividade, competitividade, auto exigência, homofobia, e mais um monte de paranoias modernas se espalham pelo SL e ditam como os residentes devem pensar ou se comportar. Sufocam a fantasia teimando em forçar comportamentos RL, como se no final fosse fazer alguma diferença como você pensa ou se porta dentro do mundo virtual para o conjunto da obra da sua vida.
Ora, se não consegues crescer como ser humano através do ser virtual, não o diminua humanizando-o nos comportamentos ditados a você pela sociedade. Até compreendo se uma pessoa quer se portar assim dentro do SL, cheia de complexos e regras sociais, afinal cada um cada um, mas querer impor isso ou querer ditar regras é que não cabe.
Tudo isso para te perguntar uma coisa simples: você é um avatar feliz? Não enrola, sim ou não? O que te falta pra ser feliz como ser lúdico? O que te faz seguir sem isso?
Eu não vou dar respostas a isso, apenas deixo as perguntas no ar. Posso sim dar uma dica. Sente-se com calma e relaxe. Comece a tentar se lembrar como era você com 5 anos brincando com uma boneca ou um carrinho. Essa criança tá ai, sufocada embaixo das centenas de camadas de idiotice adulta que acumulamos ao longo da vida. Liberte-a e verá que as regras eram feitas pela sua imaginação.
Assim, quando você logar, poderá colocar sua criança interior para se divertir e ela te dará as dicas para ser um avatar feliz.
Por Honny SpiritWeaver


Como a idade faz nosso cérebro florescer

Aqui, um texto que li, gostei e não podia deixar de partilhá-lo com vocês.
A todos que acham que a meia-idade ainda não oferece nenhuma surpresa agradável…rsrs

A ciência conseguiu identificar a base neurológica da sabedoria. A partir da meia-idade as pessoas podem até esquecer nomes, mas tornam-se – acredite – mais inteligentes
Marcela Buscato. Com Bruno Segadilha e Teresa Perosa

A partir de um certo momento da vida, que, para a maioria de nós, começa depois do aniversário de 40 anos, a grande questão neurológica se resume a uma pergunta: aonde diabos foram parar todos os nomes que eu esqueço? No início, desaparece o nome de uma atriz famosa. Depois, some o nome dos filmes que ela fez. Mais adiante, você não consegue achar no mar de neurônios o nome do famoso marido dela, muito menos o do outro ator, manjadíssimo, com quem ela contracenou em seu trabalho mais célebre. A débâcle ocorre no almoço de domingo em que você se percebe, diante da cara divertida de seus filhos, tentando explicar: “Aquele filme, com aquela atriz australiana, casada com aquele outro ator…”.

Essa, você já sabe – ou vai descobrir dentro de algumas décadas –, é a parte chata de um cérebro que bateu na meia-idade. Ela vem junto com muitas piadas e uma dose elevada de ansiedade em relação ao futuro. O que você não sabe, mas vai descobrir nas próximas páginas, é que existe outro lado, inteiramente positivo, das transformações cerebrais trazidas pelo tempo. “Conforme envelhecemos, o cérebro se reorganiza e passa a agir e pensar de maneira diferente. Essa reestruturação nos torna mais inteligentes, calmos e felizes”, diz a americana Barbara Strauch, autora de O melhor cérebro da sua vida. O livro, recém-lançado no Brasil pela editora Zahar, reúne argumentos que fazem a ideia de envelhecer – sobretudo do ponto de vista intelectual – bem menos assustadora do que costuma ser.

Editora de saúde do jornal The New York Times, um dos mais influentes dos Estados Unidos, Barbara resolveu investigar o que estava acontecendo com seu cérebro. Aos 56 anos, estava cansada de passar pela vergonha de encontrar um conhecido, lembrar o que haviam comido na última vez em que jantaram juntos, mas não ter a mínima ideia de como se chamava o cidadão. Queria entender por que se pegava parada em frente a um armário sem saber o que tinha ido buscar. Barbara não entendia como o mesmo cérebro que lhe causava lapsos de memória tão evidentes decidira, nos últimos tempos, presenteá-la com habilidades de raciocínio igualmente surpreendentes. Ela sentia que, simplesmente, “sabia das coisas”, mas, ao mesmo tempo, se exasperava com a quantidade imensa de nomes e referências que pareciam estar sumindo na neblina da memória. Como pode ser?

A capacidade de manter informações enraizadas em nossa
mente não sofre dano algum com a passagem do tempo

É provável que essa mesma pergunta já tenha passado pela cabeça de muitos que chegaram aos 40 anos rumo às fronteiras da meia-idade, um período cada vez mais dilatado em que podemos passar um tempo enorme de nossa existência. Com o aumento da expectativa de vida, a fase intermediária da vida, entre os 40 e os 68 anos, tornou-se uma espécie de apogeu. Nesses anos é possível aliar o vigor reminiscente da juventude à sabedoria da velhice que se insinua – desde que se saiba identificar, e abraçar, as mudanças que acometem o cérebro maduro. Ele já não é o mesmo que costumava ser. Mas as mudanças o transformaram num instrumento melhor. “Para o ignorante, a velhice é o inverno; para o sábio, é a estação de colheita”, diz o Talmude.

A jornalista Marília Gabriela, considerada a melhor entrevistadora do país, é especialista nas delícias e nos suplícios de um cérebro de meia-idade: “Eu não sei se é a idade ou se é o excesso de informações, mas eu esqueço o que as pessoas me dizem”. Aos 63 anos, Gabi, como é mais conhecida, pode até se esquecer de detalhes de conversas, mas mantém o raciocínio afiado para encurralar políticos e celebridades nos três programas apresentados por ela semanalmente. “Hoje, sou capaz de fazer análises rápidas sobre aspectos que as pessoas nem precisam me explicar”, afirma. “Leio nas entrelinhas, pego pelo olhar.”

A nova ciência do envelhecimento, retratada por Barbara em seu livro, conseguiu decifrar o caráter das mudanças por trás dessas percepções aparentemente contraditórias. Os pesquisadores aproveitaram a popularização das técnicas de ressonância magnética – nos últimos 15 anos, o número de estudos aumentou dez vezes – para flagrar o cérebro em pleno funcionamento. Eles descobriram que, sim, há um desgaste natural das células nervosas como se pensava. Mas ele é localizado e circunscrito, assim como seus prejuízos à mente.

Um estudo feito pela equipe do neurocientista americano John Morrison, da Escola de Medicina Monte Sinai, em Nova York, analisou o que acontece com alguns pequenos botões localizados no corpo dos neurônios. Eles ajudam a captar as informações. Os cientistas descobriram que apenas um tipo desses botões sofre com o envelhecimento. São os menores, envolvidos no processamento de novas informações – onde parei o carro, onde estão as chaves ou como chama a nova namorada do meu amigo? Quase 50% desses receptores perdem a atividade. Mas outro tipo, encarregado de lembrar de grandes acontecimentos e de informações enraizadas em nossa mente, como habilidades profissionais, não sofre dano algum.

Se alguns neurônios podem ser danificados pelo tempo, há outros – até mesmo regiões inteiras do cérebro – que passam a funcionar melhor. “O raciocínio complexo, usado para analisar uma situação e encontrar soluções, é aprimorado”, diz o psiquiatra americano Gary Small, diretor do Centro de Envelhecimento da Universidade da Califórnia em Los Angeles.

Aos 49 anos, o artista plástico Vik Muniz está no auge de sua carreira. O sucesso, claro, é consequência da carreira produtiva iniciada aos 20 anos. Mas as habilidades aprimoradas por seu cérebro ao longo dos anos também têm seu quinhão de influência sobre o sucesso recente. Em 2008, foi o primeiro brasileiro a organizar uma mostra no museu de arte moderna de Nova York, o MoMa. Em 2007, começou o projeto Fotografias do Lixo no Jardim Gramacho, uma comunidade de catadores de lixo no Rio de Janeiro. Muniz recriou os personagens que encontrou e produziu algumas de suas mais belas obras. O processo de trabalho foi filmado e virou o documentário Lixo extraordinário, que concorreu ao Oscar da categoria neste ano. “Agora, sou uma pessoa mais focada e objetiva. Vou diretamente aos assuntos, não tenho tempo a perder”, diz Muniz. “Em poucos minutos de conversa já sei, por exemplo, com quem conseguirei desenvolver uma relação mais íntima.”

Um casal de pesquisadores comprovou o que Barbara, Gabi e Muniz sentem na prática. Os psicólogos americanos Warner Schaie e Sherry Willis, professores da Universidade de Washington, criaram em 1956 um projeto de pesquisa para acompanhar o desenvolvimento de 6 mil voluntários durante décadas. Esse tipo de estudo é o mais preciso que existe, uma vez que permite aos cientistas avaliar quanto uma pessoa amadureceu emocionalmente e quais habilidades cognitivas aprimorou.

A cada sete anos, Warner e Sherry submetiam os voluntários a uma bateria de testes de inteligência. Eles tinham de responder a questões que mediam a habilidade verbal (encontrar sinônimos para uma palavra), a memória verbal (lembrar palavras lidas em uma lista), a orientação espacial (virar símbolos e objetos), a capacidade de resolver problemas (completar sequências lógicas) e a habilidade numérica (problemas de adição e subtração).

Entre os 40 e os 60 anos, as habilidades verbal
e de resolução de problemas melhoram muito

A compilação de anos de estudo mostrou que os voluntários tiveram melhor desempenho em três habilidades – verbal, espacial e resolução de problemas – entre os 1940 anos e 1960 anos. Após esse período, havia um declínio nítido na pontuação dos voluntários. Mas cada pessoa apresentava um declínio maior em uma ou duas habilidades, nunca em todas as cinco.

No auge da vida

Pesquisadores acompanharam 6 mil voluntários por 50 anos. Descobriram que habilidades associadas à inteligência chegam ao ápice na meia-idade

As transformações do cérebro que explicam a melhora das habilidades cognitivas durante a meia-idade estão entre as descobertas mais interessantes da ciência nos últimos tempos. Elas revelam as origens biológicas da sabedoria trazida pela maturidade. Os cientistas descobriram que a facilidade para raciocínios complexos pode ser explicada por mudanças físicas no cérebro. A camada de mielina, um tipo de gordura que reveste as células nervosas e faz com que as informações viagem mais rápido, aumenta progressivamente com o passar dos anos e atinge seu pico por volta dos 50 anos. “No começo da vida, os circuitos motores e os encarregados pela fala recebem a maior parte da mielina”, diz o neurologista George Bartzokis, pesquisador da Universidade da Califórnia, responsável pela descoberta. “À medida que envelhecemos, os circuitos que permitem analisar contextos e que nos fazem ficar mais espertos são os que recebem mais mielina.”

Os pesquisadores também descobriram que, conforme envelhecemos, mudamos o padrão de ativação cerebral. Isso significa que acionamos áreas diferentes das usadas anteriormente para fazer as mesmas tarefas. A região frontal do cérebro, encarregada da racionalidade, passa a concentrar a maior parte das atividades. A área posterior da cabeça, onde estão algumas das estruturas ligadas a nossas respostas emocionais, é acionada com menos frequência. Outra mudança significativa: para realizar a mesma tarefa de adultos jovens (de até 30 anos), os mais velhos usam mais áreas do cérebro. Em vez de usar regiões de apenas uma metade do cérebro, passam a usar as duas. Os cientistas ainda não estão certos sobre o que essas mudanças representam. Há duas possibilidades. A primeira, menos agradável, é que o cérebro esteja ficando velho a ponto de não reconhecer mais as áreas encarregadas de cada atividade. A segunda hipótese é mais reconfortante: o cérebro pode, sim, estar ficando velho. Mas, ao redirecionar funções para áreas diferentes e para mais regiões, dá mostras de que é capaz de se adaptar e manter seu bom funcionamento.

“Não sabemos qual das duas hipóteses é verdadeira”, diz a neurocientista Cheryl Grady, pesquisadora da Universidade de Toronto, no Canadá, e uma das primeiras a notar mudanças no padrão de ativação. “Provavelmente, as duas estão certas. Para algumas tarefas, o cérebro pode perder a precisão. Para outras, pode usar mecanismos compensatórios.”

É irresistível pensar que, talvez, a superativação do cérebro, representada pelo uso simultâneo de várias áreas, possa estar por trás das melhoras de raciocínio relatadas por quem está na meia-idade – e comprovadas pelos pesquisadores. Os cientistas descobriram que um sistema muito especial do cérebro, formado por circuitos localizados em camadas profundas do órgão, está constantemente ativado nos adultos de meia-idade. O sistema, chamado de modo- padrão, é usado nos momentos de reflexão, quando pensamos sobre o que aconteceu recentemente, fazemos balanços e traçamos planos para nós mesmos. Os pesquisadores concluíram que os adultos simplesmente não conseguem desligar o modo-padrão, algo que os jovens fazem quando estão envolvidos em uma tarefa. Os adultos, mesmo quando estão concentrados, continuam o bate-papo interno com eles mesmos.

“O modo-padrão do cérebro ainda é um completo mistério”, diz a neurocientista Patricia Reuter-Lorenz, pesquisadora da Universidade de Michigan. Estar em constante reflexão pode nos tornar distraídos, mas também pode ajudar a ter boas ideias. Isso explicaria por que adultos de meia-idade têm o raciocínio afiado, embora não lembrem onde puseram a carteira.

O cérebro de meia-idade pode ganhar habilidades surpreendentes conforme envelhecemos, mas isso não acontece com todos. Os cientistas perceberam que só os adultos que sempre tiveram hábitos saudáveis e vida intelectual ativa apresentaram a superativação. Há indícios de que a prática frequente de exercícios físicos promove o nascimento de novos neurônios em uma região do cérebro associada à memória. E atividades que desafiam o cérebro, como aprender uma nova língua ou até mesmo exercícios de memória, evitam que áreas do cérebro “enferrugem”. É como se essas atividades criassem uma reserva de neurônios que pode ser usada pelo cérebro quando ele entra em declínio. “Se a pessoa conseguiu criar uma boa reserva, é provável que tenha mais mecanismos para suprir deficiências causadas pelo envelhecimento”, diz o neurologista Ivan Okamoto, pesquisador do Instituto da Memória da Universidade Federal de São Paulo.

Adultos que têm hábitos saudáveis e mente ativa
mostram cérebro de alto desempenho na meia-idade

Há poucos anos, a meia-idade costumava ser considerada uma fase de crises, desencadeadas pela percepção dos primeiros lapsos de memória. Eles seriam sinal inequívoco da aproximação da velhice e, consequentemente, da morte. A percepção da brevidade da vida despertaria um conjunto de comportamentos chamado pelo psicólogo canadense Elliott Jaques de crise da meia-idade – sim, a famosa. Entre os sintomas descritos por Jaques no artigo de 1965 que deu origem ao termo estão “preocupação doentia com a saúde e a aparência”, “promiscuidade sexual” e “ausência de verdadeiro prazer em viver”. Esse tipo de comportamento pode ser facilmente encontrado entre pessoas de meia-idade, mas o conceito não tem base científica.

Jaques propôs sua teoria ao analisar casos de artistas que teriam mudado o estilo de suas obras após os 40 anos – um grupo pequeno e específico demais. Um dos estudos mais abrangentes a averiguar o nível de bem-estar nessa fase da vida mostrou que a maioria das pessoas se diz mais feliz do que antes. Segundo levantamento com 8 mil americanos da Fundação MacArthur, instituição privada de fomento à pesquisa nos Estados Unidos, apenas 5% dos entrevistados apresentavam reclamações. E, mesmo entre esses, a maioria já enfrentara problemas semelhantes em outras épocas – o que isentaria a culpa da meia-idade.

Aos 52 anos, o físico Marcelo Gleiser, professor do Dartmouth College, nos Estados Unidos, diz ter encontrado serenidade, e não angústia. “Quando você fica mais velho, torna-se mais calmo e seguro”, afirma. Ele diz ser capaz de escolher desafios com mais critério, para concentrar tempo e energia em problemas que possa resolver. “Conhecer os próprios limites dá paz de espírito.” Os estudos de neurociência sugerem que essa pacificação interior também está relacionada a alterações do cérebro. A equipe da psicóloga Mara Mather, da Universidade do Sul da Califórnia, mostrou imagens tristes e repulsivas a voluntários maduros e a jovens. Concluiu que nos mais velhos a área do cérebro responsável pelas emoções reagia menos às figuras negativas. Concluiu que era um sistema de proteção. O cérebro parecia escolher dar menos atenção ao lado ruim da vida. Há nisso mais inteligência e sabedoria do que um cérebro jovem talvez seja capaz de perceber.

reprodução/Revista Época


Bom dia!!! Praqueles que não pensam em mais nada…

O tempo passa, os minutos passam, os segundos passam com a lentidão que pesa em meus ombros. Olho pro céu cinzento, pra chuva que cai e não encontro uma resposta, um ponto de equilíbrio entre a minha racionalidade cruel e a minha emoção de uma princesa de contos de fadas. Como pode uma pessoa pular de um estado de razão absoluta para uma emoção quase imbecilizada em tão poucos segundos. O pensamento gira de um lado a outro sem encontrar nada, absolutamente nada, neste mar de idéias, conceitos, consciência.
É quase uma dor…uma agonia, uma angústia. Ao mesmo tempo uma vontade de sumir, de voltar atrás no tempo, onde havia paz (se é que em paz algum dia vivi).
Preciso disso pra viver? Deste descontrole, desta vontade,deste tesão pela vida quase que incontrolável, desta intensidade absurda que me põe ao mesmo tempo em estado de absoluta euforia e me afunda em completo desespero?
Será este o tempero da vida?
Será por isto que tantos não aguentam e se matam? Outros se drogam…alguns pulam de cama em cama?
Aonde será que está o tal ponto de equilíbrio dos maduros? Será que existe mesmo ou é uma maneira de vender livros de auto-ajuda?
Sei lá, quanto mais vivo, mais experimento, mais aprendo, sugo tudo que é possível, na ânsia de uma destas experiências me trazerem alguma coisa, que na verdade nem sei bem o que seja, mais quero. Mas confesso que estou cansando…Ao mesmo tempo sei que esta minha sede, fome de vida não vai me deixar parar, pois é isto que me faz ser o que sou…mas nos momentos em que há um vislumbre de sossego eu realmente queria parar, deitar, ao redor de uma lareira, bebendo um vinho e sorvendo cada palavra de qualquer livro que me traga PAZ! Pode ser até aquela paz desassossegada que nos leva a questionamentos e reflexões, mas que eu me concentre apenas naquilo e em mais nada!Preciso me concentrar…


Ladainha

Mais uma contribuição de nosso amigo, Honny SpiritWeaver. Um texto interessante que nos chama à reflexão sobre autoconhecimento:

Todo dia vejo alguém recitar aquela velha ladainha de que SL é SL e RL é RL, que RL em primeiro lugar, que SL não quer dizer nada na RL, que é só um joguinho de bonecos e bobagens assim. Eu mesmo já me peguei várias vezes falando isso, ou colocando esse assunto numa ou outra conversa, principalmente quando a pessoa vem chorar mágoas e sofrimentos no SL, mas honestamente, não acredito nisso. Acredito sim que é um mundo de fantasias, porém anexado a você, e se as coisas estão dando erradas, existe algum “bug”, seja na SL, seja na RL. Aí fica mais difícil porque na RL limpar o cache e relogar é muito mais difícil.
Tudo que vocês são RL acaba se refletindo na SL e é um baita exercício de autoconhecimento, porque vocês podem se ver em terceira pessoa, e assim, podem vir a descobrir virtudes e defeitos que não imaginavam ter. Talvez gere medo e por isso as pessoas recitem tanto esses “ditadinhos”, pois nascemos com um instinto de se proteger aos ataques externos, mas será que sabemos lidar com a autocritica?
Tentem brincar com essa possibilidade que o SL oferece, buscando nas ações dos seus avatares o que o reflexo de vocês, e se isso é ou não legal. Não apenas os aspectos negativos, procurem ver se novas experiências te alegram, procurem os sentimentos que cada nova ação no SL provoca e quem sabe vocês poderão dar uma reciclada em sua RL.
Tenham a certeza de que na Vida a única coisa que não muda é o fato de tudo estar em constante mudança, e sempre temos como melhorarmos como seres humanos e aprender novas coisas sobre o mundo, sobre o outro e sobre nós mesmos. Mas para isso temos que ter a coragem de encarar o SL como uma extensão de nossa vida como forma de expressão e não mais nos escondermos atrás dessas mentirinhas tão repetidas que ficam perecendo verdades.
Paz e Bem a Todos! 


O pior cego é aquele que não gosta de ler!

É um imenso privilégio e um orgulho ver que este nosso Blog, sim porque ele é nosso, de todos aqueles que desejam compartilhar do mundo das idéias, está ficando pouco a pouco reconhecido e prova disto é que hoje um colega do SL, Honny SpiritWeaver, enviou o texto abaixo, dando uma grande contribuição ao conteúdo destas páginas:

Honny obrigada por compartilhar também suas emoções com todos nós!

As pessoas que frequentam o mundo virtual, e dentro dele o SL, tem uma certa aversão a ler as coisas. Não me pergunte o porquê, mas é verdade e não me excluo desse grupo não, a não ser que você seja meio mosca branca também. Você conhece alguém que leu o T.O.S (Termos de Serviço) antes de dar ok e confirmar o avatar? Uma regra de grupo? Um manual de instruções até o terceiro paragrafo? Um notecard? Uma noticia de grupo inteiro, vai? Pois é assim mesmo, e todos somos preguiçosos para ler no computador. Experimente puxar seu extrato bancário e não imprimir e estarás a um passo de fazer bobagem em suas finanças.
Daí vem um pessoal com um blog lutando contra tudo e querendo escrever sobre emoções e filosofia, lutando contra a correnteza, como aqueles peixinhos que lutam horas para poder dar sentido a sua vida de peixe, subindo nadando até em cachoeira. Por quê? Porque o mundo das idéias vem antes do mundo dos fatos, e a forma de melhorar os fatos é lapidando as mentes, retirando as farpas emocionais que ficam pinicando as pessoas ao longo da vida, podando a possibilidade de felicidade do sujeito.
Acontece que o crescimento não tem outro caminho a não ser a leitura, não dá para desenhar, fotografar, ou coisa assim. Por mais legal que pareça não dá para por o Cebolinha em quadrinhos falando de amores e suas dores, nem fazer fotonovela (nossa, acho que isso nem existe mais) expressando as faces invisíveis do ser humano.
Por isso, me meto a besta e escrevo um agradecimento sincero à esse povo herói que tenta acordar as pessoas, dando a cara para bater, falando em primeira pessoa, gritando na geral para ver se o time acorda, se alguém desperta, se alguém se consola, recebendo muitas pauladas e poucos agradecimentos.
Mas não desistem e continuam subindo a cachoeira, com esperança de alcançar a foz, dar um sentido à vida. Mas escutem loucos escritores dos becos escuros da alma: enquanto vocês caminham aos trancos e barrancos, por mais que às vezes se achem inúteis aos outros, estão indo de encontro à luz, se iluminando, sendo cada dia melhor.
Este pequeno monte de palavras despretensioso é só uma agradecimento à vocês…
MUITO OBRIGADO!!!

Honny SpiritWeaver


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