O medo

Às vésperas de completar meus 47 anos só uma sensação toma conta de mim: o MEDO.

Medo do que virá, do incerto, do desconhecido, da velhice, enfim hoje tenho todos os medos do mundo.

Quando somos mais jovens temos energias de sobra para nos aventurar, tentar experimentar. Eu, embora ainda me sinta com muita energia, minha capacidade reflexiva, por vezes exacerbada, me faz querer recuar, desconfiar de tudo e de todos.

Sei que eu mesma sou a culpada por quem me tornei, hoje há arrependimentos sim, mas também uma espécie de saudade do que eu fui um dia.

Hoje sinto falta de não pertencer a nenhum lugar. Tem gente que acharia isso bom, mas eu, que fui criada sempre com raízes, acostumada com a segurança, sempre amada e valorizada, sou outra pessoa. Não sei ainda quem e, talvez isso faça parte do processo de metamorfose pelo qual venho passando. E olha, é dolorido viu! Tão dolorido que dá vontade de desistir, mas é tarde. Eu já dei o salto, não há como voltar. E embora sabendo que haverá muitas decepções e momentos insanos de arrependimentos eu vou ter que seguir.

Falta pouco pros 50 e eu não posso mais esperar pra mudar o que não me faz feliz, mesmo sem saber se conseguirei ser feliz um dia!

Feliz aniversário pra mim!


Páscoa?

Eu nasci num domingo de Páscoa. Talvez isso explique minha tara por chocolate.

Nasci num domingo de Páscoa, num 10 de abril e, segundo minha mãe falava, nas brincadeiras dos médicos na sala de parto, meu nome seria Pascoalina!!

Ufa!! Ainda bem minha mãe não acatou.

Então vamos lá: Páscoa, chocolate, família, domingos..ahhh, esqueci de falar que meu avô se chamava José Domingos. E é aí que quero chegar. Na saudade que hoje senti dele, não que não sinta todos os dias, mas hoje ao abrir um Diamante Negro eu só consigo lembrar dele e foi assim  por toda a minha vida. Ele nunca voltava da rua sem trazer uma barra de Diamante Negro pra mim.  Naquela época era uma barra pequena, não haviam barrões de chocolate, tudo era mais comedido. Mas enfim, eu quero deixar aqui hoje apenas uma das muitas lembranças que tenho do vô Domingos. Saudades, barra de chocolate, almoços na casa da Piedade com mesa cheia. Filhos e Netos em volta fazendo algazarra. Minha mãe (hoje com Alzheimer) adorava o drink Dreher que ele fazia. Não havia bebida importada, meus tios fumavam.

Eu era feliz!!!


Foi assim…

7977597534_e017d1301b_bEu andava por aí, meio de bobeira mesmo, já sem acreditar em grande ou novo amor.

Já me bastava a idéia de alguns momentos efêmeros felizes e de prazer. Aquela conformação peculiar de quem acha que não tem mais direito a paixões. E num desses momentos aparece você, num terreno que era meu, imersa em pensamentos mais meus ainda, na companhia dos meus e puxa um assunto assim meio besta, meio interessante praquele mundo de cérebros áridos de conteúdo e me deixo absorver pelo seu universo, assim como quem não tem nada a perder.

Muito gentil você, cordato, sério e de repente dez dias se passam sem que eu tenha notícias de você.

Bem, aquilo passou, mais um momento efêmero como tantos outros. E segui em frente.

Mas você ressurge e, de novo, do mesmo jeito calmo, como uma marolinha descompromissada, discreto, retoma minha atenção e eu, novamente, embarco na onda e começo a observar que tudo que você fala acontece. Muito estranho isso. Nossa! O que ele fala, ele faz, ele cumpre. Meu Deus! Por que? O que está acontecendo? Ele não existe! Ahhh… tem coisa aí! E eu curiosa mergulho neste mistério. E como mais uma criatura descrente insisto em desvendar que aquilo tudo não passa de mais uma mentira. Provoco, desafio e cada vez mais, boba que sou, não percebeo que estou me enredando cada vez mais numa estória que ao mesmo tempo que me apavora, me encanta.

Passam os dias e você ali, comigo, cada vez mais perto, mais encantador, mais tudo que eu achava que não existia e eu me apaixonando por você e você se dizendo apaixonado por mim. E nós num discurso “maduro” tentando segurar a onda: é só SL tá? Vamos nos divertir, não vamos invadir outras searas, vamos nos contentar com isso que já é o máximo.

Mas aí vem ela, a traiçoeira, a surpreendente VIDA e nos empurra para ultrapassar as barreiras e nós, meros seres humanos, somos arrebatados por ela e resolvemos experimentar mais um pouquinho. Afinal, o que temos a perder né? Vamos ver no que dá né? E fomos. E aí?

Ahhhhhhhhhhhhhh, aí fudeu né? E pior, nós sabíamos que isto ia acontecer, aliás, acho que no fundo sempre quisemos que isto acontecesse. Não vamos nos enganar né? Quem tá na chuva é pra se molhar! Quem brinca com fogo, acorda mijado! E não está sendo diferente com a gente.

Extremamente apaixonados, cada vez mais presos um ao outro, mas de uma maneira tão simples e sublime. Tão amigos, tão parceiros, tão cúmplices, tão amantes, tão tudo de um jeito que eu sequer havia imaginado existir, que hoje só sei dizer e pensar: existe sim uma alma no mundo pronta pra sua, assim como você é pra mim e eu sou pra você. Assim mesmo, com todo este respeito, carinho, absoluta transparência. Sem que seja preciso um pingo de desconfiança.
É simples, tão simples que acho que por isto mesmo que foi tão difícil aceitar e acreditar. Porque é simples demais amar da maneira que se deve de verdade!

E hoje me sinto um ser especial por ter merecido você na minha vida. Por ser amada por você deste jeito tão pleno e vigoroso!

E cada dia que passa isso só se fortalece. Porque na grandiosidade deste mundo e desta vida, você escolheu a mim e eu escolhi você para compartilhar tudo que seja. E nos aceitamos exatamente como somos. Talvez porque somos tão iguais e pensamos tão iguais.

Nossa que medo né? rsrsrsrsrsrs

Te amo. Simples assim!


Tempo, tempo, tempo, tempo…

Hoje tudo me parace tão esquisito, este dia cinza, esta vontade estonteante de virar a mesa, mudar meu modo de vida.

Hoje me sinto como se não fosse quem eu olho no espelho.

Eu me olho, mas não me vejo. Eu penso, eu repenso, eu resisto, eu pondero, eu volto atrás em pensamento e não sei o que me trouxe aqui.

Estas incertezas, esta impotência, esta necessidade teimosa de esperar o tempo passar não é algo que me convença, ao contrário, é algo que me faz desacreditar no que é possível, tangível, real.

Tudo que não depende somente de nós é angustiante para alguém como eu.

Tudo bem que não gosto de pensar sozinha, gosto de ter alguma espécie de caixa de ressonância que me faça ouvir as minhas próprias palavras. Talvez por isso esteja escrevendo aqui e agora, numa tentativa desesperada de aliviar este aperto no peito, esta angústia que toma conta de mim. Talvez relendo isso as coisas fiquem mais claras, sei lá…

Só sei que tô sim, caminhando só pra frente, mas o motor anda meio fraco e este carro não tá rendendo o que deveria.

Maldito tempo: “Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo…”

Não faça isso comigo, não me consuma, mas também não me abandone.

Eu não sei esperar. É isso! Eu não sei esperar!

E a vida me obriga a isso. E neste intervalo enquanto espero sofro de um medo sinistro de que nada saia como espero, que nada seja como sinto, que nunca eu veja o que eu preciso, que nunca tenha o que eu quero!


Mundos virtuais e as transformações do comportamento humano e das relações interpessoais

O mundo se transformou, disso ninguém duvida.

Mas para melhor ou para pior?

Será que existe resposta pra isso?

Hoje mais do que sermos objetivos é tempo de sermos reflexivos. As informações estão aí à disposição de todos e só não pensa quem não quer.

Construção de senso crítico se faz com conhecimento e falando em reflexão, compartilho aqui este vídeo sensacional que nos questiona profundamente sobre o que os Mundos Virtuais significam neste novo modelo de relações interpessoais que vem sendo construído e o que trazem à tona no que tange às transformações que o  comportamento humano vem sofrendo mediante todas as ferramentas tecnológicas colocadas a nossa disposição ao longo destes anos
Amor e sexo se transformaram? Ou apenas ampliamos nosso campo de visão em relação a assuntos que sempre foram tabu em nossa sociedade.

Análise fundamental que deve ser feita o tempo todo: devemos usar este mundo virtual como válvula de escape para nossas censuras, como agente catalisador do nosso alter ego, ou como uma ferramenta de continuidade de nós mesmos?

Não achei ainda a versão traduzida, mas tá valendo pra quem sabe pelo menos um pouco de inglês


Aprendemos com os erros?

Será verdade que aprendemos com os erros? Afinal se temos defeitos certamente erraremos muitas vezes, porém com alguns pode-se aprender, pois causam dores, frustrações, mas há aqueles que são decorrentes de nossa personalidade, das imperfeições que cada um de nós temos e que muitas vezes nos trai.
Acredito serem os erros necessários, muitas vezes nos fazem parar pra pensar em coisas que pelo modo automático da vida nos passam despercebidos.
Erro sim e errarei muito ainda, sou humana, cheia de imperfeições, impulsiva, ansiosa, estabanada, porém intensa e acredito também que toda esta ansiedade é o que atrapalha.
Mas assumo todas as minhas culpas, não responsabilizo ninguém, porque só eu mesma sou responsável pelo meu bem estar e pela minha paz.
Limites sim, estes são preciosos, necessários pra que não nos percamos, para que possamos conviver em sociedade e não sair por aí desrespeitando as outras pessoas.
Tudo que nos faz pensar é útil, todos os nossos problemas são causados por nossas próprias ações e no entanto teimamos em responsabilizar o próximo. Não, isso não é certo e quem me conhece sabe como me importo com quem eu gosto, mas às vezes escorrego e às vezes estes escorregões me derrubam feio, mas eu levanto sempre, sacudo a poeira e dou a volta por cima.
E hoje isso não será diferente, nem amanhã e nem depois, porque enquanto eu viver eu quero pensar e aprender seja de que maneira for…
É acho que aprendemos com os erros sim!


Porque o inferno são os outros?

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Um tema que gosto de refletir em cima arduamente e com o qual nos defrontamos a cada segundo de nossas vidas, porque afinal de contas vivemos em sociedade, é justamente sobre as relações entre os indivíduos.
 
E hoje escolhi uma frase de Sartre, presente em sua principal obra, O Ser e o nada, para debatermos: o inferno são os outros. Neste livro Sartre ressalta a liberdade humana, ou melhor, o conceito desta característica intrínseca ao homem.
 
Nossas escolhas são a nossa essência e nada mais somos, segundo Sartre, do que a soma das escolhas que fazemos da vida. E isto talvez forme o sentido de nossas vidas, talvez não…
 
Se o homem realmente tem este livre arbítrio, digo verdadeiramente, mesmo alguém mantido sob a mais cruel dominação, no fundo permanece livre em seu ser, em sua consciência. Quer dizer, um homem jamais conseguirá dominar plenamente o outro, penetrar plenamente em sua consciência: sempre haverá lá uma resistência, um resquício de liberdade. Em outros termos, um homem nunca pode ser reduzido completamente à condição de um objeto; a isso sempre haverá uma espécie de oposição por parte de nossa consciência, oriunda de nossa liberdade radical.
 
Por este motivo, as relações humanas são, a princípio, conflituosas, pois haverá sempre um um confronto entre minha liberdade e a do outro. Precisamos do outro, por exemplo, para nos conhecer plenamente, para escapar ao que Sartre chama de má-fé, essa espécie de mentira que contamos a nós mesmos para fugir da angústia, que se origina da responsabilidade que temos por nossas escolhas. O olhar alheio é responsável por nos dizer quem somos, e não quem pensamos ser – o que é fundamental se quisermos melhorar, crescer, evoluir em todos os aspectos. Isso para não falar do necessário processo de socialização, sem o qual não conseguiríamos sobreviver.
 
Não há relação humana que não carregue em si mesma um germe de tensão. “O inferno são os outros”, para Sartre, significa justamente isso: porque o outro também é livre, não podemos controlar completamente o que ele pensa, o que ele nos diz, o limite que ele impõe à nossa liberdade (o que frequentemente gera conflito); mas, ao mesmo tempo (daí vem a tensão), preciso dele, de seu olhar (ainda que, muitas vezes, esse olhar veja algo em nós que não gostamos), para me conhecer e poder agir no mundo, pois é apenas através de nossas ações e do nosso contato intersubjetivo autêntico, que podemos superar nossa situação e dar um sentido legítimo à nossa existência.
 

Para quem se interessar:

SARTRE, Jean-Paul. Entre quatro paredes, ed. Civilização Brasileira.


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